Importante perceber/conhecer/entender a realidade por trás das paredes de um presídio. Na verdade, acredito que todo mundo deveria ter a experiência de visitar um presídio, ou mesmo uma casa como a FASE. Me cansa os discursos revoltados de "cidadãos" defendendo que preso deve sofrer como punição pelos erros que cometeram. Não sou inocente de pensar que todos os presos podem ser reabilitados e de que todos são injustiçados, mas convoco a classe média/alta (que se diz cerceada pelo crime) a estabelecer um pensamento crítico, baseado em estatísticas.
Segundo o site do Ministério da Justiça, entre 1995 e 2005 a população carcerária do Brasil saltou de pouco mais de 148 mil presos para 361.402, o que representou um crescimento de 143,91% em uma década. Será mero acaso ser esse período o de maior desenvolvimento econômico/tecnológico de nosso país, com grande aumento da desigualdade social? Como ocorre no restante do Brasil, a população carcerária é formada por jovens, pobres, homens com baixo nível de escolaridade.
No último relatório divulgado em junho deste ano pelo Departamento Penitenciário Nacional, podemos verificar alguns pontos interessantes:
- População carcerária atual é de 549.577 mil pessoas;
- Arredondando, 28 mil são analfabetos, 65 mil são alfabetizados, 228 mil tem ensino fundamental incompleto e 57 mil ensino fundamental completo, ou seja, 69% da população carcerária não teve uma educação decente;
- 260 mil tem menos de 30 anos;
- Mais de 50%, 291 mil, são pretos ou pardos.
Veja dos dados completos aqui.
Não parece óbvio que esses jovens, vítimas de uma sociedade falida, histérica e individualista, precisam de oportunidade para se tornarem cidadãos de fato e de direito? E não vou nem falar da necessidade de investimento em educação (fundamental, média e técnica) e cultura como forma de ampliar as opções dos jovens, bem como o seu pensamento crítico, para que possam trilhar um caminho mais humano.
E você que se acha um crítico social de alto gabarito, cheio de razão em suas convicções, deixe o seu cappuccino de lado e encontre a sua "mea culpa" nessa história (e em todas as outras), porque todos temos.
O belo trabalho realizado pela Carmela Grune, e que você poderá conferir no vídeo, me deixa satisfeita com a humanidade.
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